C O N C E R T O S C O M O R Q U E S T R A
SERGIO MOLINA (1967)
O PERCURSO DAS ALMAS CANSADAS (2004)
A obra é dedicado ao Quaternaglia, e foi escrita especialmente para a apresentação do quarteto no "I International Guitar Festival at Round Top" (TX), nos Estados Unidos, em 12 de fevereiro de 2005. A estréia foi realizada pela Round Top Festival Orchestra sob a regência de Marcelo Bussiki.
Concebido para a formação quarteto de violões e orquestra de cordas, o concerto tem cinco partes interligadas, respectivamente "Saudação", "Sagacidade", "Saudade", "Sacrifício" e "Sabedoria". Antes da última seção, o compositor insere uma explosiva cadência para os quatro violões. Nascido em São Paulo, o compositor é bacharel e mestre em composição pela USP, onde estudou com Willy Corrêa de Oliveira. Professor da Faculdade Santa Marcelina e do Uni FIAM/ FAAM, em S. Paulo, tem atuado como compositor, arranjador e intérprete em diversos projetos de música erudita e popular.
Tem diversas premiações em Festivais de Canção e Concursos de Composição, destacando-se o 1º Lugar no Concurso para Composição do Hino da Justiça Federal em 2002. Entre suas obras mais importantes destacam-se Desanoitecimento n. 1 e Elegia, ambas para orquestra de cordas, além dos Estudos e Variaxial, para violão solo, Motril para flauta e violão, e as obras compostas para o Quaternaglia, como Sweet Mineira sobre temas de Milton Nascimento (para quatro violões) e o Quinteto para um outro tempo (para quatro violões e piano).
A estréia brasileira da obra ocorreu no Teatro da Paz, em Belém (PA), durante a edição de 2006 do Festival Internacional de Música, com a Camerata do Festival dirigida por Antonio del Claro. A obra foi apresentada em São Paulo no mesmo ano, pela Camerata Vitta sob a direção de Abel Rocha.
DOWN THE BLACK RIVER INTO THE DARK NIGHT para quarto violões, piano e octeto de cordas (2008)
A peça é dedicada a Quaternaglia e James Dick e a estréia ocorreu em 14 de fevereiro de 2009 no "V Festival Internacional de Violão de Round Top", com Quaternaglia, James Dick e a Round Top Philharmonia dirigida por Marcelo Bussiki. Nas palavras do compositor:
Down the Black River into the Dark Night é uma composição estritamente musical que explora diferentes texturas e diversas possibilidades de intersecções de materiais musicais específicos. Tem como principio unificador a utilização recorrente e variada de intervalos de segunda e sexta menor em contextos tonais, pan-tonais e outros. Ritmicamente lança mão de sobreposições de diferentes recortes de tempo além de aplicar o filtro da escrita musical sobre determinados ritmos brasileiros de tradição popular espontânea.
A idéia inicial da peça surgiu em Maio de 2008, no saguão de entrada do Hotel Regente em Belém (Pará) - Brasil - quando James Dick me consultou a respeito de um novo quinteto (para piano e quarteto de violões), com inspirações e referências à região amazônica. Logo imaginei uma analogia possível entre as idéias musicais citadas acima e uma longa viagem em uma noite inexoravelmente escura, deslizando em uma pequena embarcação sobre as águas silenciosas do enigmático Rio Negro (Black River) um dos mais importantes afluentes do Rio Amazonas.
O ouvinte pode tomar a narrativa abaixo como referência para a escuta, embora a obra não tenha sido baseada em um programa escrito a priori:
A travessia se inicia tranqüila, prenhe de expectativa e necessariamente alerta a qualquer acontecimento inesperado. O silêncio da noite amplifica os sons da natureza. O octeto de cordas estabelece um fluxo sonoro contínuo, paralelo às águas negras do rio, onde as notas longas sem recortes impõem uma sensação de não pulso, de não tempo. Vez por outra ouvimos reverberações mescladas entre a música feita pelos habitantes dos vilarejos das margens do rio e a própria sonoridade da paisagem amazônica. A falta de visibilidade - imposta pela escuridão das águas e da noite - abre a porta da introspecção para a emergência de memórias. Ecos de Jobim, Ligeti , Reich e Schumann.
Ao final, uma tempestade abate nossos viajantes justamente no encontro entre as águas escuras do Rio Negro e as águas límpidas do gigante Amazonas. O Rio Negro se dilui. Ainda ouviremos algumas das gotas iniciais que - mesmo desmanchadas no Amazonas - conseguiram preservar parte de sua identidade original e prosseguirão, do outro lado do círculo das quintas, sua jornada rumo ao mar.
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EGBERTO GISMONTI (1947)
FORROBODÓ PARA QUATRO VIOLÕES E CORDAS (2004)
A versão para quarteto de violões de Forrobodó (1999) é fruto da inensa cooperação entre Egberto Gismonti e o Quaternaglia, cooperação essa que resultou na produção do CD Forrobodó para a gravadora Carmo / ECM no ano 2000, além de um registro ao vivo que consta do DVD Quaternaglia (2006).
A partir desse histórico, Gismonti escreveu em 2004 uma adaptação da obra para quatro violões e cordas tendo em vista uma apresentação do Quaternaglia no "I International Guitar Festival at Round Top" (TX), onde a obra foi de fato estreada em 2005 com a Festival Orchestra dirigida por Marcelo Bussiki.
No Brasil a estréia deu-se também em 2005, no Teatro São Pedro, em São Paulo, com a Camerata Vitta dirigida por Rodrigo Vitta. Desde então ela passou a fazer parte do repertório de concertos do Quaternaglia.
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RODRIGO VITTA (1971)
PAISAGEM BRASILEIRA n. 4 - "URBANA" - PARA QUATRO VIOLÕES E CORDAS (2005)
A Paisagem Brasileira n.4, intitulada "Urbana", escrita pelo premiado compositor e regente brasileiro Rodrigo Vitta, foi inspirada em obra na qual a artista plástica brasileira Nele Azevedo confecciona homenzinhos de gelo que são colocados em pontos escolhidos de grandes cidades: no meio do caos urbano, as miniaturas apenas derretem, e provocam um incômodo quase inexplicável diante de sua fragilidade.
A primiera versão da obra - também dedicada ao Quaternaglia - foi registrada pelo grupo em 2004 no CD Presença, e esse fato motivou Vitta a escrever a versão para quatro violões e cordas, estreada pelo Quaternaglia sob a regência do próprio compositor à frente da Camerata Vitta no dia 22 de outubro de 2005 no Teatro São Pedro, na cidade de São Paulo (Brasil). Cerca de um ano depois, a mesma orquestra apresentou novamente a obra, agora sob a regência de Abel Rocha, no Museu da Casa Brasileira, também em São Paulo.
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LEO BROUWER (1939)
CONCERTO ITALICO (2000-1)
Concerto Italico (2001) é o primeiro concerto para quatro violões e orquestra escrito pelo compositor cubano Leo Brouwer, e é também uma de suas obras mais recentes.
Seus movimentos são: I- Las Predicciones de Ítalo Calvino; II- La Nostalgia de D'Anunzzio; III- Vilanela Napolitana. Comissionado pelo quarteto italiano Guitart, foi executado na Itália, Polônia, Cuba e Brasil, aonde o Quaternaglia realizou a estréia no dia 14 de março de 2004, em São Paulo, com a Orquestra Sinfonia Cultura dirigida por Lutero Rodrigues.
A peça representa o mais recente estilo de Brouwer, a "nova simplicidade", na qual as experiências de vanguarda e os ritmos afro-cubanos podem se fundir tranqüilamente com o minimalismo e a influência da música popular.
O segundo movimento inclui uma homenagem a Chopin, mencionando sua Mazurka op. 17 n. 4. Quaternaglia havia gravado a obra completa para quarteto de violões de Leo Brouwer em seu primeiro CD (Quaternaglia, 1995).
O Concerto Italico de Leo Brouwer também foi apresentado pelo Quaternaglia em 2005 no Teatro da Paz, como parte do Festival Internacional de Música do Pará, com a Orquestra Sinfônica do Teatro da Paz dirigida pela maestrina cubana Elena Herrera.
GISMONTIANA para quatro violões e orquestra de cordas (2004)
Homenagem de Leo Brouwer a Egberto Gismonti, Gismontiana tem seis movimentos (incluindo uma cadência para quarteto de violões) e foi estreada no Brasil pelo Quaternaglia em dezembro de 2008, tendo a Orquestra de Câmara da USP (OCAM) sob a regência do próprio compositor cubano em sua primeira visita ao Brasil. As apresentações ocorreram em 11 de dezembro de 2008 no Auditório do SESC Pinheiros e em 14 de dezembro de 2008 no Auditório do MASP, ambos em São Paulo. Segundo o compositor:
"Trabalhar sobre temas de Egberto Gismonti não exigiu esforço; parece que estou criando minhas próprias sonoridades. Meu som e o do maestro brasileiro são diferentes em estilo, mas em essência se irmanam. A profundidade do espírito brasileiro que existe em Camargo Guarnieri ou em Villa-Lobos na primeira metade do século XX, só encontrou um continuador em Gismonti. Aí está o problema: não se pode imitar, senão herdar; por isso surgiu um Gismonti na segunda metade do século XX. O Quarteto Guitart da Itália me solicitou este trabalho e recebeu a estréia italiana de cinco das obras mais importantes de Gismonti. O Mato Grosso, a cultura nordestina, o Rio de Janeiro, o Amazonas e as linguagens múltiplas que se transformam e enriquecem constantemente deram origem a um gigante cultural: o Brasil, do qual emerge este grande músico."
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ESTÉRCIO MARQUEZ CUNHA (1941)
CONCERTO PARA QUATRO VIOLÕES E ORQUESTRA (1998)
Dedicado ao Quaternaglia, o Concerto para 4 Violões e Orquestra de Estércio Marquez Cunha segue a forma clássica em 3 movimentos.
O primeiro movimento faz uso de várias mudanças de andamento, com ênfase em aspectos melódicos e harmônicos. O segundo movimento é um acalanto, com destaque para a escrita dos harmônicos, tanto dos solistas quanto da orquestra. Já, no terceiro movimento, predomina o enfoque rítmico: nele os solistas fazem uso de toda sorte de efeitos timbrísticos e percussivos.
Embora a concepção da obra seja contemporânea - com uma divisão da textura sonora em 4 blocos distintos (cordas, madeiras, percussão e quarteto de violões), temas com características brasileiras são evocados durante a obra, geralmente de forma irônica. Há a utilização de uma grande diversidade de técnicas composicionais e formas de apresentação, do contraponto à melodia acompanhada, de trechos seriais a passagens onde a tonalidade "Ré maior" parece reinar soberana. De uma maneira muito bem humorada e divertida, a obra apresenta duas "codas", já que, à "cadência de clusters" que parecia querer encerrar a obra, segue-se - inesperadamente, a esta altura - o divertido final "tonal trivial".
O Concerto de Estércio Marquez Cunha foi estreado pelo Quaternaglia em outubro de 1999 na cidade de Santos, com a Orquestra Sinfônica de Santos regida por Luiz Gustavo Petri. No mesmo mês, a obra estreou em São Paulo com a Sinfonia Cultura dirigida por João Maurício Galindo.
Nascido em 1941 no estado de Goiás, o compositor Estércio Marquez Cunha é bacharel em Piano, Composição e Regência pelo Conservatório Brasileiro de Musica do Rio de Janeiro e doutor em Composição pela Oklahoma University (EUA).
Sua atividade docente envolve intensa atuação em cursos de graduação e pós-graduação de diversas universidades brasileiras, tais como Universidade Federal de Uberlândia, Universidade Federal de Goiás, Faculdade de Música Carlos Gomes (SP) e Universidade Federal do Rio Grande do Sul. É convidado regularmente para fazer parte de comissões examinadoras de diversas instituições.
A obra musical de Estércio Marquez Cunha inclui uma vasta obra para piano solo, música para canto e piano, violino e piano, flauta, trombone, percussão, quarteto de cordas, quinteto de sopros, sexteto vocal, coro, piano e orquestra, orquestra de cordas, e diversas formações camerísticas. A obra violonística de Marquez Cunha inclui a Música para Soprano, Flauta e Violão nº1, 2 e 3, Música para Dois Violões, Três Movimentos para Violino e Violão, Suiternaglia para 4 Violões (gravada pelo quarteto de Violões Quaternaglia em 1995), Concerto para Violão e Orquestra, Música para Flauta e Violão nº1 e 2, Magnificat para Soprano, Flauta Violão e Coro e Lento Acalanto para Voz, Violino, Clarineta, Violão e Pedra, além do próprio Concerto para 4 Violões e Orquestra.
Há que destacar também em sua produção obras para teatro musical e dança, como a Metamorfose para coreografia, Guarda Noite- Música para Teatro, Tempo - Teatro Música, Requiem para Prometeus - Música Teatro, Brincando no Piano - Teatro Música, Natal - Música Teatro e O Ofício do Homem - Música Teatro. Entre as principais gravações de sua obra destacam-se, além da Suiternaglia, as Imagens - Cantata de Natal, a Serenata que Não Fiz para Canto e Piano, o Magnificat e o Lento Acalanto.
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JOHANN SEBASTIAN BACH (1685-1750)
CONCERTO PARA QUATRO CRAVOS E ORQUESTRA BWV 1065
(transcrição para quatro violões de Fabio Ramazzina)
Este é o único concerto de Bach para quatro cravos e orquestra. Trata-se, no entanto, de uma transcrição realizada por Bach do Concerto para quatro Violinos e Orquestra Op. 3 nº 10 RV 580 de Antonio Vivaldi (1678-1741). A transcrição para quarteto de violões - assinada por Fabio Ramazzina, do Quaternaglia - é, portanto, a "transcrição de uma transcrição". Concebida para um concerto do Quaternaglia com a Orquestra Sinfônica de Santo André regida por Flávio Florence em junho de 1996, a versão tem sido apresentada com diversas orquestras (como a Sinfônica de Santo André, a Sinfônica de Santos, a Sinfonia Cultura, a Orquestra de Câmara Villa-Lobos, etc.) em locais como Teatro São Pedro, Teatro Municipal de Santo André e Parque do Ibirapuera, entre outros.
A versão de Fabio Ramazzina - em Lá menor, como a de Bach - mantém intacta a parte orquestral (BWV 1065), apenas adaptando a escrita cravística para os violões. Além da versão orquestral, o Quaternaglia costuma incluir também em seus recitais uma bem sucedida versão sem orquestra da obra.
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JOAQUÍN RODRIGO (1901-1999)
CONCIERTO ANDALUZ (1967)
O Concierto Andaluz foi comissionado por Celedonio Romero e dedicado a ele e seus filhos Pepe, Angel e Celín Romero.
Escrito em 1967, foi estreado no mesmo ano em San Antonio, Texas, no dia 18 de novembro. O concerto foi inspirado na música da Andaluzia; entretanto, os temas não são autênticas melodias folclóricas, mas concebidos pelo próprio compositor.
Os três movimentos são: Tiempo de Bolero, Adagio e Allegretto. A obra é extremamente colorida, evocando poder e energia.
A primeira performance do Andaluz pelo Quaternaglia foi realizada no dia 20 de abril de 2001, com a Orquestra Sinfônica de Santos dirigida por Luiz Gustavo Petri. O grupo foi convidado para apresentar a obra também com a Orquestra Sinfônica de Santo André dirigida por Flávio Florence e pela Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB) dirigida pelo maestro mexicano Enrique Barrios no Teatro Municipal do Rio de Janeiro em 2002.
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