O Quaternaglia Guitar Quartet (QGQ) tem sido aclamado como um dos mais importantes quartetos de violões da atualidade, tanto pelo alto nível de seu trabalho camerístico quanto por sua importante contribuição para a ampliação do repertório. Em seus quinze anos de atuação, o grupo - formado pelos violonistas João Luiz, Fabio Ramazzina, Paola Picherzky e Sidney Molina - vem estabelecendo um cânone de obras originais e arranjos audaciosos, o que inclui a colaboração com compositores brasileiros de diversas gerações, tais como Egberto Gismonti, Almeida Prado, Paulo Bellinati, Sérgio Molina, e Paulo Tiné. Sua atuação começou a despertar o interesse da crítica internacional a partir de 1998, após a obtenção do "Ensemble Prize" no "Concurso Internacional de Violão de Havana" (Cuba) e da participação em importantes séries de violão e música de câmara dos Estados Unidos, como Guitarists of the World, Allegro Guitar Series, Chamber Music Sedona, Friends of Music e Round Top Festival Hill.
O lançamento do CD Forrobodó na Europa pelo selo Carmo/ECM (2000), produzido por Egberto Gismonti, foi o registro pioneiro de um repertório original de grande virtuosismo - quase integralmente dedicado ao próprio quarteto - que tem sido modelo para alguns dos principais ensembles violonísticos da atualidade. Esse trabalho de pesquisa prosseguiu no CD Presença (2004), que traz também a primeira gravação mundial do Quarteto n. 1 de Radamés Gnattali, e no DVD Quaternaglia (2006), gravado ao vivo no Auditório do Itaú Cultural, em São Paulo. Anteriormente, o CD Antique (1996), contendo transcrições de obras renascentistas e barrocas, havia sido finalista do "Prêmio Sharp" na categoria "Música Clássica" e possibilitou ao quarteto receber o "Prêmio Carlos Gomes" da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo como o "melhor grupo de câmara do ano".
Segundo os críticos do jornal Los Angeles Times, "o quarteto de violões Quaternaglia foi atraído pela oportunidade de adicionar experiência e tempero a um jovem gênero musical, criando um cânone de fogo" e "uma aura de pureza penetrou o concerto do quarteto de violões Quaternaglia, que preencheu todos os requisitos com serenidade e inteligência em sua estréia na Califórnia". Já o crítico do periódico Fort Worth Star Telegram afirmou "os quatro brasileiros tocaram todo o concerto de cor, com integração precisa" e "em concerto que emocionou uma multidão, cada detalhe de interpretação esteve em harmonia". Segundo o Valley Scene Magazine, "a maestria do grupo somente foi igualada pelo seu entusiasmo. Mesmo nos momentos musicais mais complexos, podemos vê-los sorrindo e aproveitando cada momento: a performance foi impecável.
O álbum de estréia do grupo, lançado em 1995 com a primeira gravação da versão do violonista e luthier Sérgio Abreu para as Bachianas Brasileiras n. 1 de Villa-Lobos, e contendo também a gravação integral da obra para quatro violões do compositor cubano Leo Brouwer, tornou-se um modelo de produção artística e técnica para grande parte dos trabalhos fonográficos do violão clássico brasileiro da segunda metade dos anos 90. A proposta ousada e madura do trabalho violonístico-camerístico do Quaternaglia foi imediatamente reconhecida por publicações especializadas, como as revistas Classical Guitar e Les Cahiers de la Guitare.
Desde a estréia no exterior, no "I Festival Internacional de Violão Abel Carlevaro" (Uruguai, 1996), o grupo tem se apresentado em cidades como Buenos Aires, Caracas, Havana, New York, Los Angeles, Washington, Chicago e em mais de quinze estados brasileiros. Também cabe destacar a atuação do Quaternaglia como solista convidado de orquestras no Brasil e nos Estados Unidos. Entre as principais obras de seu repertório de concertos podem ser citadas o Concierto Andaluz, de Joaquín Rodrigo, apresentado como parte das comemorações do centenário de nascimento do compositor no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, O Percurso das Almas Cansadas e Forrobodó, escritas pelos compositores Sérgio Molina e Egberto Gismonti especialmente para a apresentação do Quaternaglia no "I Festival Internacional de Violão de Round Top" (EUA, 2005) e o Concerto Italico, de Leo Brouwer (Cuba), obra estreada no Brasil pelo Quaternaglia em 2004.
A atividade didática do quarteto também é bastante intensa, e o grupo desenvolve um trabalho acadêmico regular nas cidades brasileiras de São Paulo (SP) e Belém (PA), além de ser convidado periodicamente para ministrar masterclasses e palestras em instituições americanas como Delta State University, University of Arizona, Glendale College, Texas Christian University e California State University, entre outras.
Na temporada de concertos 2006-2007 o grupo realizou turnês de lançamento do DVD Quaternaglia pelo Brasil e pelos Estados Unidos, onde gravou um novo CD e estreou, ao lado do pianista norte-americano James Dick, o Quinteto para um outro tempo, de Sérgio Molina. O crítico Gil French, do American Record Guide, disse: "O Quaternaglia Guitar Quartet foi atordoantemente comunicativo em uma fabulosa versão da 'Embolada' de Villa-Lobos, em um comovedor e tranqüilo tema de Egberto Gismonti, no polirrítmico tour de force Baião de Gude, de Paulo Bellinati, e na Sonata Cravo e Canela, de Sérgio Molina. O público exigiu um encore - uma sensacional, clara, lírica e consumadora 'Fuga' da mesma Bachianas Brasileiras".
Os músicos do Quaternaglia utilizam três violões de seis cordas e um violão de sete cordas especialmente construídos pelo luthier brasileiro Sérgio Abreu.
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