 Gravadora Paulus Music 2004
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Musicians (guitars):

Sidney Molina
Fabio Ramazzina
Fernando Lima
João Luiz
Gravação no Estúdio Paulus e Cia do Gato nos dias 11, 12, 13, 18 e 20 de maio de 2004
Produção e Distribuição: Paulus
Produção Executiva: Tom Queiroz
Engenheiro de som: José Luiz Costa
Edição: Rodrigo Azambuja
Masterização: Percival Grossi
Consultor Musical: Henrique Pinto
Produtores: Ricardo e Igor Pecego
Fotos: Gal Oppido
Cordas: SAVAREZ
Violões: Sergio Abreu (Brasil)
- Fernando Lima - 1987
- João Luiz - 1997
- Fabio Ramazzina - 2003
- Sidney Molina (7 cordas) - 1997
"A precisão e a perfeita comunicação das interpretações do Quaternaglia é tamanha a ponto de parecer que cada membro do grupo tem filamentos de tecidos nervosos em comum com os demais, conectando-os a um único sistema nervoso central".
Randy Morse (The Best of Brazil, USA)
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| SÉRGIO MOLINA (1967) - SWEET MINEIRA SOBRE TEMAS DE MILTON NASCIMENTO * (1998) |
1. Ponta de Areia, San Vicente & Variações
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5:09 |
| 2. Interlúdio no Cais |
2:16 |
| 3. Sonata Cravo e Canela |
4:06 |
| RADAMÉS GNATTALI (1906-1988) - QUARTETO Nº1 (1939) |
| 4. Movido |
5:44 |
| 5. II [Andando] |
3:30 |
6. Vivo
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1:31 |
| 7. Allegro |
3:40 |
| RODRIGO VITTA (1971) |
8. SONATA (1997) *
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5:37 |
| 9. PAISAGEM BRASILEIRA Nº4 - "URBANA" (2004) * |
2:59 |
| PAULO TINÉ (1970) |
10. NOITE ESCURA (1997) *
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5:14 |
| 11. PRESENÇA (2003) * |
3:30 |
| DOUGLAS LORA (1978) - MARACASALSA (2003-4) * |
12. Toccata
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4:20 |
| 13. Fuga |
4:24 |
| TOM JOBIM (1927-1994) - CRÔNICA DA CASA ASSASSINADA (1971) (adaptação: João Luiz) |
| 14. Trem para Cordisburgo |
1:22' |
| 15. Chora Coração |
2:27 |
| 16. Jardim Abandonado |
2:49 |
| 17. Milagre e Palhaços |
1:47 |
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Tempo total: 61:04' |
* peças dedicadas ao Quaternaglia
faixas: 4-7 - primeira gravação mundial (versão do autor para quatro violões)
faixas: 1-3 e 8-13 - primeira gravação mundial das obras
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A idéia de utilizar temas do compositor e cantor popular brasileiro Milton Nascimento (1942) na elaboração de uma nova obra para quarteto de violões foi uma sugestão direta do compositor Leo Brouwer. A conversa que inspirou Sweet Mineira ocorreu em Montevideu (Uruguai), logo após o Quaternaglia ter gravado a obra integral para quatro violões do compositor cubano (CD-JHO, 1995). Sérgio Molina, violonista e Bacharel em Composição pela Universidade São Paulo na classe de Willy Corrêa de Oliveira - e autor de uma versátil produção que inclui sobretudo canções populares e música de câmara - trabalhou a partir de quatro temas de Milton, três dos quais mencionados por Brouwer. No primeiro movimento dialogam e fundem-se "Ponta de Areia", uma bela melodia pentatônica que conta a história de uma ferrovia abandonada no caminho entre Minas Gerais e Bahia, e "San Vicente", o relato de um "sonho estranho" que faz preencher de "vidro" e "corte" a subjetividade latino-americana. Ambas as canções contam com versos escritos por Fernando Brant. Segue-se - com versos de Ronaldo Bastos - "Cais", cuja letra carregada de tensão pontua a necessidade de "inventar os limites para poder se soltar", de "inventar o sonhador para poder sonhar", e "Cravo e Canela", que enumera com humor e malícia os mais variados "temperos" da culinária mineira. Na forma sonata quase clássica adotada para esse movimento final, Molina cita, ironicamente, o início da re-exposição do primeiro movimento da sonata Appassionata op.57 de Beethoven: uma nota dó grave - obstinadamente repetida - interfere no tema, atrapalha o seu re-surgimento; mas, apesar do incômodo, ele insiste em voltar e acaba finalmente se impondo, como se nada tivesse ocorrido. "San Vicente", "Cais" e "Cravo e Canela" foram lançadas por Milton no histórico LP Clube da Esquina (1972), enquanto que "Ponta de Areia" surgiu no disco Minas (1975).
Paulo Tiné, compositor e guitarrista, também se formou na Universidade São Paulo, tendo estudado violão com Edelton Gloeden e freqüentado os cursos de Composição e Estética de Ricardo Rizek. Suas peças para violão solo têm grande interesse, e têm sido editadas na Europa pela Martin Müller Edition. Noite Escura, inspirada em poema homônimo do místico carmelita San Juan de la Cruz (1542-1591), revela a visão bastante pessoal que o compositor tem da música espanhola, enquanto que Presença é um choro que começou como uma homenagem ao compositor e instrumentista brasileiro Egberto Gismonti - citando a harmonia de sua peça Sete Anéis -, mas logo ganhou vida própria, incorporando características específicas da produção de Tiné, como leveza e swing no material temático, minuciosas transições entre as seções, modulações originais, e uma forma dinâmica, em constante desenvolvimento.
Rodrigo Vitta e Douglas Lora são talentosos músicos formados pelas classes de composição do Uni FIAM / FAAM em São Paulo, ambos sob a orientação de Ricardo Rizek. Vitta, um admirador da Segunda Escola de Viena, assume os riscos de estar sempre "nas fronteiras da tonalidade": sua obra nada tem de nacionalista, sua visão de Brasil passa pelo rigor harmônico de Alban Berg e pela fase pré-dodecafônica de Schoenberg. Sonata, escrita para o Quaternaglia em 1997, foi orquestrada em 2000, tornando-se o primeiro movimento da Sinfonia Brasileira, obra premiada em concurso comemorativo aos "500 anos" do Brasil. Já a Paisagem Brasileira n.4, intitulada "Urbana", foi inspirada em obra na qual a artista plástica brasileira Nele Azevedo confecciona homenzinhos de gelo que são colocados em pontos escolhidos de grandes cidades: no meio do caos urbano, as miniaturas apenas derretem, e provocam um incômodo quase inexplicável diante de sua fragilidade. As três primeiras obras da série "Paisagens Brasileiras" - intituladas respectivamente "Mangue", "Cerrado", e "Caatinga" - foram escritas para orquestra de cordas. Ao contrário de Vitta - que se dedica também à regência -, Lora tem sólida formação violonística, obtida graças a vários anos de trabalho sob a orientação de Henrique Pinto. Sua produção - predominantemente voltada ao violão - inclui peças para violão solo, duo e trio de violões. O caráter idiomático de sua escrita revela-se de imediato em Maracasalsa, sua primeira obra para quarteto de violões: escrita para o Quaternaglia, a peça marca uma virtuosística fusão do maracatu brasileiro com a salsa latina a partir de um inesperado uso das formas barrocas da toccata e da fuga.
A força das canções de Tom Jobim é tamanha que ofusca freqüentemente suas trilhas de cinema. Mas o cinema percorre toda a trajetória poética do compositor carioca, desde Orfeu Negro (1959), no início de sua carreira, até a trilogia Eu te amo (1981), Gabriela (1983) e Fonte da Saudade (1987). Crônica da Casa Assassinada, baseada em romance homônimo de Lúcio Cardoso (1912-1968) publicado em 1959, foi composta por Jobim especialmente para o filme A Casa Assassinada (1971), de Paulo César Saraceni, tendo sido premiada no I Festival de Cinema de Gramado. A adaptação realizada por João Luiz destaca os principais trechos da trilha gravados por Tom em seu LP Matita Perê (1973), incluindo "Trem para Cordisburgo" - referência à cidade natal do escritor mineiro Guimarães Rosa - e "Chora Coração", que recebeu versos de Vinicius de Moraes.
É mais fácil falar hoje da obra de Radamés Ganattali. Não porque sua produção já tenha sido suficientemente estudada, mas porque o mundo musical tem caminhado para se tornar cada vez mais gnattaliano. Freqüentemente perseguido em vida tanto pelos nacionalistas quanto pela vanguarda, tanto pelos músicos populares quanto pelos eruditos, o compositor nascido em Porto Alegre e que viveu a maior parte de sua vida no Rio de Janeiro tem encontrado lugar garantido no repertório deste início de século XXI. Sua visão urbana e altamente irônica do Brasil, fluência de escrita e ênfase em pacíficas fusões entre linguagens musicais contrastantes antecipou - em mais de 50 anos - o ambiente estético pós-moderno dos dias atuais. A maior parte das publicações sobre o repertório violonístico do século XX tem destacado a importância de obras tais como as duas Toccata em Ritmo de Samba, a Danza Brasileira, os 10 Estudos (para violão solo), os quatro concertos para violão e orquestra, o concerto para dois violões e orquestra, além de suas peças para dois violões, violão e piano e violão e flauta. A obra interpretada aqui pelo Quaternaglia em primeira gravação mundial é uma versão para quarteto de violões preparada pelo próprio Radamés em 1980 a partir de seu Quarteto de Cordas n. 1 por sugestão do violonista e compositor brasileiro Sérgio Assad.
Sidney Molina
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